CONHECENDO UM APARELHO AUDITIVO - ADAPTAÇÃO
“Ouvir é um dom e a sua correção resulta em uma melhora significativa da qualidade de vida, aumenta a auto-estima e devolve o indivíduo para a sociedade”


Aparelho auditivo é um equipamento eletrônico com o objetivo principal de amplificação sonora, da forma mais adequada, satisfatória e com o mínimo de distorção possível. Esta amplificação não se restringe aos sinais de fala, mas inclui os sons ambientais, música, sinais de perigo ( buzinas..), sinais de alerta (campainhas,...) e para facilitar a educação e o desenvolvimento psicossocial e intelectual do deficiente auditivo.

Cada aparelho é desenvolvido e adaptado para se adequar à situação auditiva individual.
Componentes:
  • MICROFONE - um ou mais microfones que captam o som do meio ambiente e transformam em sinal elétrico;
  • AMPLIFICADOR – aumenta a intensidade do sinal elétrico. A maioria com processamento digital de sinal;
  • RECEPTOR - reconverte o sinal elétrico em sinal acústico e o direciona para dentro do canal auditivo;

O aparelho auditivo necessita ainda:
  • PILHA - fornece energia aos componentes do aparelho;
  • MOLDE INDIVIDUAL para os retroauriculares ou uma cápsula para os intra ou micro canais, para adaptar no ouvido;

Processamento do Sinal: ocorre através de Tecnologia Analógica(em desuso) e Tecnologia Digital(onde os sinais acústicos são transformados em alta velocidade e com enorme precisão para proporcionar soluções personalizadas à perda auditiva e permite adicionar recursos que dão ao aparelho maior eficácia em diversas situações auditivas).

COMO PROCEDER PARA ADQUIRIR UM APARELHO AUDITIVO?

  • Consultar com um médico Otorrinolaringologista;
  • Realizar Audiometria e se necessário exames complementares;
  • Procurar um Fonoaudiólogo, caso for diagnosticada a perda auditiva e o médico indicar a adaptação de aparelho auditivo;
  • Fazer o pré molde da(s) orelha(s) selecionada;
  • Passar pelo processo de Adaptação;

Procure sempre um profissional qualificado e registrado no conselho, pois a adaptação indevida submete o usuário a riscos como agravar a perda auditiva e até mesmo rejeitar o aparelho.

O Fonoaudiólogo, obrigatoriamente, só poderá selecionar o aparelho auditivo adequado baseando-se na Audiometria. Após, poderá considerar outros fatores como estilo de vida do usuário, preconceito com o tipo (estética), dificuldade motora fina, tamanho e formato da orelha e se necessita de adaptação binaural (aparelho nas duas orelhas).

Alguns fatores contribuem para a demora na procura de auxílio: a idade, o tipo de perda auditiva, a falta de compreensão sobre a deficiência auditiva, a desinformação do pessoal de saúde e até a dificuldade financeira.

Alguns adultos, normalmente os idosos, não estão interessados em seu problema auditivo. Acomodam-se e só buscam ajuda por insistência da família.

É na Infância que o ser humano está mais apto a desenvolver seus conhecimentos e habilidades e a audição é o principal meio através do qual a linguagem verbal é adquirida. Portanto, uma perda auditiva de grau mínimo pode representar um risco ao desenvolvimento da linguagem e acarretar problemas de aprendizagem (Davis e col., 1986).

Quanto mais precocemente for detectada a perda auditiva é melhor, pois desta forma ganha-se tempo para recuperar a capacidade auditiva, desenvolver a linguagem expressiva (crianças), aumentar a auto estima e melhorar a qualidade de vida do usuário.

ADAPTAÇÃO BINAURAL : quando houver perda auditiva em ambos os ouvidos e a possibilidade de adaptação binaural, se faz importante o uso de dois aparelhos auditivos porque:
  • Melhora a capacidade de localização do som e a distancia em que está;
  • Melhora a compreensão da fala em ambientes ruidosos;
  • Reduz o risco de Privação Auditiva, que é a redução significativa nos índices de reconhecimento da fala por passar um longo período de tempo sem estimulação na orelha sem o aparelho auditivo;
  • Melhora o Efeito de Somação Binaural, que é a percepção do som com mais intensidade e com melhor qualidade nas duas orelhas. Reduzindo o volume em ambos os aparelhos, diminui a estridência e a distorção do som;

ADAPTAÇÃO COM O APARELHO AUDITIVO

“A reabilitação com o Aparelho Auditivo só terá sucesso se o indivíduo aceitar

a existência da perda auditiva e admitir a necessidade de ajuda”

O ajuste de um aparelho auditivo é feito em várias etapas para poder garantir a satisfação total do usuário. É importante sua conscientização porque ele deve ser positivo, ter disponibilidade de tempo, paciência e persistência.

Não esqueça que seu cérebro ficou privado dos estímulos sonoros e acostumar-se novamente com os sons amplificados pelo aparelho auditivo também requer tempo. Terá início o processo de “REAPRENDIZAGEM” da audição.

O aparelho auditivo devolve os sons do meio ambiente para o usuário. No primeiro contato com os sons eles parecerão estranhos; como o barulho da água na pia, ruído do ventilador, do papel, o som da própria voz entre tantos outros que não escutava há muito tempo. A adaptação é gradual e em alguns casos pode demorar até 6 meses.

No primeiro encontro com o Fonoaudiólogo, será feita a programação dos aparelhos auditivos conforme a audiometria. O usuário aprenderá a manuseá-los (colocar e retirar, trocar a pilha, ajustar volume, cuidados, etc.) Deve ser solicitado ajuste no molde se o mesmo estiver machucando internamente a orelha.

Se o aparelho possui controle de volume, aprenda a regulá-lo, isto ajuda muito nas diferentes situações de exposição a ruídos do dia a dia. Cuide para não elevar muito o volume, pois isto causa distorções no som.

Inicialmente use o aparelho auditivo em ambientes calmos, assista TV ou converse com os familiares. Faça isto por algumas horas, após retire o aparelho para descansar um pouco o cérebro, evitando assim sentir dor de cabeça e o nervosismo. É importante que você aumente seu tempo de uso gradativamente até que esteja usando seu aparelho o dia inteiro. Na rua ou em ambientes ruidosos, faça experiências por curto período de tempo, até acostumar-se com os ruídos mais intensos.

O cérebro possui um mecanismo chamado Processamento Auditivo Central, que faz o indivíduo não perceber os ruídos que estão ocorrendo ao mesmo tempo em que presto atenção em alguém falando. Na perda auditiva, este mecanismo está alterado. Em situação de conversação, concentre-se, dirija sua atenção apenas para uma fonte sonora.

Escolha a melhor posição para colocar o telefone quando for usá-lo. Para os aparelhos retroauriculares eleve um pouco acima da orelha e para os intras use de forma normal, não devendo encostar o fone no aparelho auditivo, isto produzirá um apito contínuo, a “microfonia”.

O sucesso é conseguido com a prática, o comprometimento de usá-los diariamente e seguindo as orientações do Fonoaudiólogo.

O Fonoaudiólogo vai programando o aparelho auditivo de acordo com suas experiências, portanto sinta-se a vontade para contá-las e para suprimir suas dúvidas.

Consulte com o otorrinolaringologista pelo menos uma vez ao ano. Ele irá acompanhar todo o processo de adaptação e estará sempre dando suporte quando necessário. Os usuários de aparelhos intras e que possuem muita produção de cerúmen devem ir com regularidade para evitar que a cera estrague o aparelho.

DICAS IMPORTANTES DE CUIDADOS
  • Para colocar ou retirar o aparelho não precisa de espelho, faça isto sentado na cama ou no sofá e evite assim as quedas no chão;
  • Após retirar o aparelho da orelha, limpe-o com lenço de papel e não use produtos químicos;
  • Evite expor o aparelho auditivo a situações que poderão estragá-lo: umidade, calor, quedas, spray, pomadas ou gotas otológicas, etc.;
  • Tire o aparelho para dormir e coloque-o no desumidificador;
  • Use sempre pilhas de boa qualidade e nunca deixe a mesma dentro do aparelho quando não o estiver usando;
  • Mantenha fora do alcance de crianças e animais domésticos;
  • A diminuição do volume pode ser sinal que a pilha está gasta;
  • A cápsula dos aparelhos intra deve ser trocada a cada dois anos;
  • Retirar o aparelho antes de exames de raio x, tomografia ou outros;
  • O aparelho auditivo é um objeto delicado e só deve ser aberto pelo técnico. Não tente consertá-lo;
  • Faça manutenção (revisão e limpeza) no aparelho auditivo para que ele mantenha as características do som sempre com boa qualidade;
  • Não use o volume máximo do aparelho auditivo, isto causa distorção do som;

ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO
  • Peça para o interlocutor falar de frente. Concentre-se no rosto dele, preste atenção e procure pistas visuais como expressões faciais, movimento dos lábios e gestos indicativos;
  • Fique a uma distância máxima de 1,5m do falante;
  • Procure conversar em ambientes com pouco ruído e iluminação adequada;
  • Não finja que entendeu, peça repetição e que o interlocutor fale mais devagar;
  • Converse no máximo com 2 pessoas e solicite que elas falem uma de cada vez;
  • Explique aos familiares que não é necessário gritar, eles devem primeiro chamar sua atenção antes de começarem a falar. Peça para não falarem gritando de outros aposentos;
  • Explique aos familiares para não ficarem fazendo testes com voz cochichada, o aparelho auditivo não é um ouvido novo;
  • Peça para o interlocutor tirar o cigarro, a mão ou outro objeto da frente da boca enquanto estiver falando;
  • Quando estiver em salas amplas, teatros ou auditórios posicione-se mais perto do local de onde vem o som. Na igreja fique mais perto do alto-falante;
  • Não tenha vergonha de informar as pessoas, com quem você quer comunicar-se, que você tem perda auditiva e se necessário, escreva o que você quer expressar;
  • Se necessário, peça a instalação de sinais luminosos para a campainha da casa e do telefone;